Desafio acirrado entre pedestre e motorista contra trânsito na Barra

Tempo gasto com carro é equivalente ao percurso feito a pé

Se você pudesse mudar algo na Barra, o que seria? A resposta é clássica: o trânsito. Engarrafamentos contínuos, longas filas de veículos fechando os cruzamentos, retornos mal sinalizados, obras na pista e muito nervosismo. Foi esta rotina, comum a quem trafega pela região, que a equipe do GLOBO-Barra experimentou nas últimas semanas.

A proposta era medir a mobilidade urbana — ou a falta dela. Enquanto parte da equipe seguia de carro, a repórter percorreu a pé cerca de um quilômetro em trechos habitualmente congestionados das avenidas das Américas, Ayrton Senna, Abelardo Bueno e Lucio Costa e da Estrada da Gávea. O objetivo era verificar qual o tempo gasto, das duas maneiras, para percorrer o trecho entre dois pontos combinados previamente. As distâncias não eram necessariamente as mesmas para das duas equipes, visto que em determinadas áreas pedestres e motoristas precisam fazer trajetos diferentes.

Páreo apertado

O páreo foi apertado: houve pouca diferença no tempo gasto, mas, ainda assim, o time motorizado chegou primeiro em quatro dos cinco pontos de chegada. Como as principais vias da região passam por intervenções, a falta ou a mudança repentina de sinalização foram as principais queixas de pedestres e motoristas entrevistados. Segundo Andreia França, moradora de São Conrado, não há mais horário de pico: “Toda hora é hora para ficar preso no trânsito”, afirma. Os números do Detran-RJ traduzem a realidade: de janeiro de 2004 a janeiro de 2014, o número de veículos licenciados na cidade saltou de 1,8 milhão para 2,7 milhões.

O professor Orlando Santos Junior, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da UFRJ, aponta três aspectos que, em sua opinião, são os mais prejudiciais à mobilidade urbana no Rio: a falta de integração das obras na Zona Portuária, na Barra e na Zona Sul com a Baixada Fluminense; a ausência de integração do BRT Transoeste com outros meios de transporte e o mau planejamento da execução das obras:

— Assistimos quase diariamente a acidentes com trens e BRTs. Será que os investimentos feitos são os prioritários? As obras não levam em consideração o fluxo pendular da metrópole, nem da Baixada nem da região do leste metropolitano (Niterói, São Gonçalo, Itaipuaçu).

Na Barra, ele diz que será preciso integrar o BRT e o metrô a outros meios:

— É preciso dar condições para que as pessoas que moram um pouco mais afastadas cheguem ao BRT e ao metrô, seja a pé, de bicicleta, de carro ou de ônibus comum.

Para José Eugenio Leal, professor de Engenharia de Transporte da PUC-RJ, a sinalização precária traz insegurança. Ele sugere que a comunicação da prefeitura com as empresas de GPS seja aprimorada:

— A prefeitura poderia encaminhar atualizações sobre o fechamento de ruas, implantação de retornos e demais alterações no trânsito às empresas.

Lucio Costa, altura da reserva: Carro 10’27’’ x a pé 13’ 18’’

8h32m, Avenida Lucio Costa, altura da Praia da Reserva. Foi neste trecho que o teste da mobilidade do GLOBO-Barra começou. A faixa reversível no sentido Barra funciona das 6h30m às 10h, uma tentativa de dar fluidez ao trânsito num horário de grande fluxo. Segundo o motorista Edson Nogueira, porém, a medida é insuficiente.

— O trânsito aqui é insuportável. Já não sei o que é pior. Tentei fugir da Abelardo Bueno e caí aqui. No fim de semana é pior: o pessoal não respeita a reversível e vira uma confusão — conta.

A fila de carros na orla era extensa neste dia, mas ainda assim a equipe de reportagem que estava no carro venceu o primeiro desafio. Fotógrafo e o motorista percorreram 1,3km (da Ilha 24 da Reserva até o condomínio Alfa Barra) em dez minutos e 27 segundos. Já a repórter andou 1,44km, no mesmo trajeto, em 13 minutos e 18 segundos. O percurso de quem caminhava foi mais longo e demorado porque foi preciso atravessar a rua e, com isso, esperar o sinal abrir.

Para D’Ângelo Vital (foto), que é dono de uma produtora no Recreio e sempre faz reuniões na Barra, a Lucio Costa só se torna boa opção quando ele sabe que a Avenida das Américas está engarrafada:

— Geralmente eu vou pela Américas, mas, quando não dá e sei que vou passar pela praia, tento me programar e sair mais cedo para o meu compromisso.

Abelardo Bueno: carro 15’ 13’’ x a pé 14’ 48’’

A expectativa dos moradores pela chegada do BRT à Avenida Abelardo Bueno é grande. Mas, enquanto é preciso conviver com um canteiro de obras bem perto de casa, ouve-se mais reclamações do que elogios ao sistema. Flávia Campos (foto) é moradora do Rio 2 e, para ir ao trabalho, na Tijuca, utiliza os ônibus do condomínio. Nos dias em que o trânsito está bom ela gasta cerca de uma hora e meia no trajeto — tempo que usa para dormir, ler, ouvir música e até mesmo assistir a filmes. Porém, quando há acidentes ou algum tipo de intervenção no trânsito, como o fechamento de retornos, pode perder até três horas no percurso.

— Os retornos mudam de um dia para o outro, é sempre uma surpresa. E, para piorar, quando o trânsito está muito ruim as pessoas invadem a pista do BRT, ainda em obras. Já vi ônibus fazendo isso; carros, bicicletas. É por isso que há tantos acidentes — conta.

Foi exatamente o fechamento do retorno na Estrada Coronel Pedro Corrêa com a Avenida Abelardo Bueno, após o posto Ipiranga, que permitiu à repórter chegar primeiro do que o carro neste trecho.

O teste foi realizado por volta das 9h50m. As equipes saíram da portaria do condomínio Rio 2, na altura do número 2.000 da avenida, e combinaram se encontrar na loja Amoedo (número 2.950). No caminho, porém, a ala motorizada precisou esticar o trajeto, porque, para continuar na Abelardo Bueno após o Rio 2, é preciso sair da via e retomá-la pouco mais à frente. Com o retorno da Pedro Corrêa fechado, o carro teve de ir até o seguinte, localizado alguns metros depois do posto Ipiranga. No fim do desafio, a turma das quatro rodas percorreu 2,9 km em 15 minutos e 13 segundos, enquanto a repórter caminhou 1,48 km e chegou ao destino em 14 minutos e 48 segundos.

Américas: carro 7’40’’ x a pé 10’36’’

Já passava das 18h30m quando o desafio na Avenida das Américas foi feito. As equipes saíram da portaria do BarraShopping (número 4.666) e se reencontraram na passarela do Terminal Alvorada. O fotógrafo e o motorista percorreram um trajeto de 1,7km, enquanto a repórter teve esta distância encurtada para apenas 880 metros, uma vez que não precisou passar pelo viaduto da Cidade das Artes, como fez a equipe de carro.

Motoristas que passavam pela avenida revelaram que aquele era um início de noite atípico, pois o trânsito estava fluindo. A equipe do GLOBO-Barra viu dois agentes da CET-Rio organizando o trânsito perto do BarraShopping, para impedir o fechamento do retorno que cruza a pista central e permite a quem segue no sentido Recreio pegar o caminho de volta ao início da Barra.

O corretor de imóveis Dalton Sampaio mora na Ilha do Governador e trabalha na Avenida das Américas. Para não gastar 2h30m neste trajeto, ele mudou o horário de trabalho.

— Chego às 10h e vou embora às 20h. Chegando e saindo mais tarde, eu gasto 30, 40 minutos até a minha casa. É muito mais fácil — conta.

Quem também encontrou um jeito de chegar mais rápido ao trabalho foi o analista de sistemas Christian Chagas. Ele mora e trabalha perto da Avenida das Américas e optou por deixar o carro em casa. Segundo Chagas, não compensa dirigir na Barra quando a distância é curta. A mudança de hábito veio com o novo emprego, já que, durante dois anos, ele trabalhou na Zona Sul. Por dia, ele chegava a perder quatro horas para ir ao trabalho e voltar. Hoje, gasta 20 minutos:

— Para quem pode fazer isso, é maravilhoso. Ganhei três horas do meu dia. Posso ler, estudar e aproveitar para me exercitar — conta.

As auxiliares administrativas Cristina Cruz e Naiane Silva moram em Bangu e trabalham no Shopping Marapendi. Elas pegam ônibus no Terminal Alvorada até a estação de trem, em Santa Cruz, e, de lá, tomam outra condução até Bangu. Entre o Marapendi e o Alvorada, ainda caminham por um trecho da Américas, e não se sentem seguras.

Estrada da Gávea: carro 7’ x a pé 8’32’’

A Estrada da Gávea, ligação mais comum entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, tem uma duradoura rotina de congestionamentos e, por isso mesmo, muitos motoristas a evitam. Quem mora em São Conrado e no Jardim Oceânico geralmente enfrenta a lentidão da via e é abordado frequentemente por vendedores ambulantes, que se aproveitam dos engarrafamentos para faturar um extra. O engenheiro aposentado Milton Vasconcelos (foto) não tem como escapar do trecho. Morador de São Conrado, diariamente ele leva e busca os netos no colégio. O problema é que um deles estuda de manhã e o outro, à tarde.

— Sem trânsito, em cinco minutos eu faria o trajeto em que gasto meia hora. Isso aqui é ruim sempre, e eu ainda venho nas piores horas, às 7h e às 17h. Vamos ver se com o metrô as coisas melhoram, mas acho difícil. A cada mês, um prédio novo é construído aqui, e os acessos não são melhorados — avalia.

Sabendo que os processos de expansão imobiliária e aumento do número de veículos são irreversíveis, Vasconcelos arrisca um palpite para melhorar o fluidez do trânsito na via:

— Tinha que haver mais faixas exclusivas para ônibus e táxis — diz o engenheiro, que afirma ter voltado a fumar após quatro anos de abstinência, principalmente, devido ao estresse do trânsito.

Anoitecia quando a equipe do GLOBO-Barra fez o teste no trecho. A repórter fez em oito minutos e 32 segundos o trajeto de um quilômetro, enquanto a equipe motorizada gastou exatos sete minutos. O ponto de partida foi a entrada do Fashion Mall (altura do número 982) e o final, em frente ao supermercado Zona Sul que faz esquina com a Rua Embaixador Gabriel Landa.

Ayrton Senna: carro 9’9’’ x a pé 24’42’’

Às 9h, o movimento na Avenida Ayrton Senna é muito intenso, em ambos os sentidos. A prova da mobilidade foi feita neste horário. O ponto de partida foi o Station Mall (número 4.701), próximo à primeira passarela da via, no sentido Barra. Os cronômetros foram parados do lado oposto ao Makro (2.200). A repórter demorou muito mais para chegar: foram 24 minutos e 42 segundos, contra nove minutos e nove segundos do carro. A ampla diferença ocorreu, principalmente, porque a pé entra-se na Avenida Abelardo Bueno para depois continuar o trajeto na Ayrton Senna, enquanto o carro enfrenta o Cebolão, passando pelo viaduto da Cidade das Artes. Mesmo passando neste trecho, no qual o tráfego de veículos é muito intenso, a equipe motorizada se deu melhor. A repórter encontrou lugares ermos, diversos fios espalhados nas calçadas, buracos e depredação nos passeios, alguns decorrentes das obras na avenida.

Vendedora de salgados com ponto fixo na Ayrton Senna, Rivânia Alves diz que o trânsito começa a ficar congestionado a partir das 7h30m, e que no sentido Barra é ainda pior. Para ela, os motoristas de ônibus são os principais culpados pelas retenções.

— Eles têm preguiça de entrar no recuo. Normalmente param na pista, e aí se forma aquela fila de carros atrás deles. Isso sem falar em quando eles ignoram o ponto e vão parar lá na frente, perto do cruzamento com a Abelardo Bueno. É um perigo — conta a vendedora.

Procurada para comentar a reportagem, a Secretaria municipal de Transportes enviou uma nota. Segue a íntegra.

O Rio de Janeiro está passando por um processo de transformação e um dos objetivos é melhorar a mobilidade da cidade. A Prefeitura do Rio está trabalhando para minimizar os transtornos causados em função das obras e reforça que eles são temporários.Os investimentos na área de mobilidade são muitos: a construção de mais de 150 quilômetros de corredores exclusivos para os BRTs. Serão quatro ao todo: a Transoeste, ligando a Barra da Tijuca a Santa Cruz e Campo Grande; a Transcarioca, ligando a Barra ao Aeroporto do Galeão; a Transolímpica, ligando a Barra e Recreio a Deodoro; e a Transbrasil, ligando Deodoro ao Centro da cidade. O BRT Transoeste também prevê a integração com a Linha 4 do metrô, no Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. Há também a inauguração da Via Binário do Porto, com três faixas por sentido e várias saídas para a distribuição interna do trânsito e acessos ao Centro da cidade e a construção de três túneis (Túnel da Saúde, já inaugurado; Túnel do Binário (segundo semestre em 2014) e Túnel da Via Expressa (em 2016).Além disso, o plano de mobilidade urbana em implantação pela Prefeitura do Rio na Região Portuária privilegia o transporte coletivo, racionaliza a circulação de ônibus, cria alternativas ao deslocamento com a abertura de acesso a pedestres e ciclistas (a malha cicloviária terá 17 Km na área) e amplia a integração entre os meios de transportes com a implantação de 28 quilômetros de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), conectando ônibus convencionais, BRT Transbrasil, rodoviária, metrô, trens, barcas, teleférico, terminal de cruzeiros marítimos e aeroporto. O novo modelo amplia a capacidade de tráfego em 27%, conforme aponta atualização do Estudo de Impacto de Vizinhança, de julho de 2013.Além dos BRTs e VLT, a prefeitura está implantando corredores preferenciais de ônibus que aumentam o conforto e eficiência do sistema, reorganizando o trânsito e o transporte público, além de reduzir o tempo de viagem dos usuários. Atualmente, a cidade do Rio possui 37,9 quilômetros de faixas preferenciais de ônibus já em funcionamento. A redução do tempo de viagem nos corredores BRS implantados é de cerca de 20%.

Até 2016, a prefeitura tem como meta passar de 20% para 63% as viagens diárias realizadas por transporte público de alta capacidade.

Fonte: O Globo

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Operação Lixo Zero nos bairros da Barra, Recreio e Jacarepaguá

Considerado pelos cariocas a medida mais importante adotada pela prefeitura, o Lixo Zero já reduziu o lixo jogado nas ruas em 58% nos bairros com operação permanente. A ação, que leva orientações e informações sobre o programa, estará, a partir desta quinta-feira (17/04), nos bairros da Barra, Recreio e Jacarepaguá.
Haverá distribuição de sacolas plásticas e lixeirinhas para carro, além da exposição de faixas utilizadas nos sinais de trânsito, que chamarão a atenção dos motoristas com os dizeres “Não jogue lixo no chão. O Rio agradece”. Para quem quiser mais informações sobre o programa, banners com a Lei da Limpeza Urbana, os valores das multas e um panorama de multas pelo mundo estarão em exposição na tenda montada no local.

A programação começa no terminal Alvorada, no dia 17/04 e segue no sábado (19/04) para a Praça Tim Maia, no Recreio. Na quinta-feira, dia 24, a ação acontece na Olegário Maciel e, no dia 25, na altura do cruzamento do Barra shopping. No dia 26, outro sábado, o Programa volta ao terminal Alvorada, para depois seguir para Jacarepaguá, onde realizará a ação no Largo da Freguesia, nos dia 28 e 29 de abril.

Os moradores devem ficar atentos ao lixo e entulho descartados indevidamente, ao horário de colocar os resíduos domiciliares para a coleta, assim como a remoção do lixo dos bares, restaurantes e supermercados por empresas contratadas, para se evitar multas. As duplas do Lixo Zero, formada por agentes de fiscalização da Comlurb e guardas municipais, vão autuar nesses pontos.

Fonte: AMARosas

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